quinta-feira, maio 10, 2012

Vou deixando o tempo passar,

a vida me levar, e tudo voltar ao normal. Ser mãe foi a melhor coisa que já me aconteceu. Como faz tempo que não posto, vou fazer uma retrospectiva do que aconteceu desde o dia 27/03 (Quando a Sophia nasceu).

No dia 26/3 eu comecei sentir algumas -muitas- dores, daquelas que iam e ai voltavam, e iam e voltavam. Uma dor que às vezes me tirava lágrimas. Já tava com 37 semanas, fui ao médico, porque eu sabia que já era a hora... Mas chegando lá, após o toque, a médica me mandou pra casa, falou que eu não tinha dilatação e que minha bebê não estava nem perto de nascer, mas algo me dizia que sim, ela estava perto de nascer. Passei o dia todo na cama, não aguentava de dor. No dia seguinte (27/03) a dor apertou tanto, mas tanto que tive que voltar pro hospital, e bem cedo! Chegando lá eu já não continha as lágrimas, o negócio era punk demais, umas pontadas que me tiravam o folego... Lá vai eu fazer aquele exame horrível de toque novamente, eu ainda não tinha dilatação, mas como estava com muita dor me internaram. Me levaram pra um quarto com mais duas mulheres, uma estava com o mesmo nível de dor do que eu, ela gritava, rezava, chamava todos os santos, e eu lá quietinha, segurando no lençol, caladinha. A outra moça não estava com dor, o parto dela era cesárea, já estava com 42 semanas de gestação e nada do baby vir pro mundo. A primeira mulher me assustava com os gritos dela, eu acho que fiquei mais desesperada pelos gritos dela do que pela dor que eu sentia. Quando a bolsa dela estourou ela gritou gritou gritou, chegou a enfermeira, a médica, os estagiários, todo mundo, e ela lá com a perna aberta, gritando oO Jesus, eu ficava pensando, será que comigo também vai ser assim? Aí que eu ficava mais e mais e mais nervosa. A médica fez o toque nela, e falou pra que toda vez que a contração viesse ela fizesse o máximo de força que ela conseguisse, sem prender a respiração... A contração vinha e ela gritava, e não fazia força, e falava que não conseguia e aquilo ia me deixando doida, até que levaram ela pra sala de parto, e o grito dela ecoava o corredor de uma maneira que só Deus, as outras mãezinhas e os médicos sabem. Enquanto o bebê dela já tinha nascido, eu tava lá, com dor, e nada da minha bolsa estourar, até que decidiram colocar soro em mim, aquele negócio fez o que já tava doendo doer ainda mais, cada contração vinha mais forte e mais forte, mas vocês acham que a bolsa estourava? Que nada, quando eu ia ganhar mais um dos 7 toques que tomei aquele dia o médico decidiu romper minha bolsa, com um ferrinho que me desesperou e quase me fez desmaiar de agonia, ele falou "mãezinha, não se mexe, eu vou colocar esse ferrinho bem perto da cabecinha do seu bebê, não se mexe!" e eu fiquei quietinha, mais uma vez, imóvel, angustiada, até que sinto aquela água quente me escorrendo, e a contração vindo mais forte. Cara, eu acho que a dor do momento me impedia de gritar, de fazer um escândalo, de tudo, aquela dor me fazia só fechar os olhos e cerrar os lábios, sério. Depois que rompeu minha bolsa, passou um tempinho pequeno e eu comecei sentir uma dor que me tirava os sentidos, mais forte até do que aquela dor que me fazia chorar, eu já nem lembrava de chorar. Eu ainda não chamei os médicos, cada vez que as contrações vinham eu ia fazendo um pouquinho de força, cada vez um pouquinho mais, e quando não aguentei mais chamei. A enfermeira e a médica vieram, mais um toque, a médica me falou "faz força quando vier a contração que já tá quase mãezinha", fiz uma forcinha e me levaram pra sala de parto, chegando lá, outra contração, mais força, outra contração, mais força e eu senti a cabecinha da minha princesa saindo, depois só mais uma forcinha e pronto, chegou ao mundo o anjo mais lindo! Um alívio tão grande, uma vontade doida de poder pegar e dar muitos beijos, e ver o rostinho e tudo, é tanta emoção, tanto sentimento misturado que eu queria logo sair daquela sala. Deram os pontinhos, me mostraram minha pequena linda, saudável, perfeita e fomos pro quarto... Que alívio, que cansaço. Acho que vai poder passar mil anos, eu jamais vou me esquecer daquele dia, jamais vou esquecer de como Deus me ajudou, de como deu forças pra uma menina mulher de 16 anos, com 1,58 de altura e 60 kg em um parto, um parto sem um grito sequer, com muita dor sim (das contrações), mas com a tranquilidade que eu achei que não ia ter. Acabei descobrindo que não faço parte das mulheres exageradas, graças a Deus. E acabei colocando no mundo o serzinho mais perfeito aos meus olhos, é o amor mais puro que pode existir. É a vontade de estar junto, de proteger, de cuidar, amar, dedicar. Ser mãe é isso, é decidir ter pra sempre seu coração fora do corpo.

                                                           28/03/2012 Sophia com 1 dia

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